Câncer de pulmão: diagnóstico precoce pode mudar tratamento
Agosto Branco reforça prevenção, rastreamento de pessoas de alto risco e avanços no tratamento do tumor que mais mata no mundo.

O câncer de pulmão pode evoluir durante anos sem provocar sintomas. Quando sinais como tosse persistente, falta de ar, dor no peito ou sangue no escarro aparecem, a doença pode estar avançada.
O Agosto Branco reforça a importância de evitar o tabagismo, identificar pessoas com maior risco e buscar diagnóstico precoce. Essas medidas podem ampliar as possibilidades de tratamento.
Números chamam atenção
O câncer de pulmão é o tumor mais diagnosticado e o que mais provoca mortes no mundo. No Brasil, o Inca estima 35.380 novos casos anuais de câncer de traqueia, brônquios e pulmão entre 2026 e 2028.
A projeção inclui 18.730 casos entre homens e 16.650 entre mulheres. Em 2023, a doença provocou 31.237 mortes no país. Na Bahia, são estimados 1.590 novos diagnósticos em 2026, sendo 840 homens e 750 mulheres. Salvador deve registrar 380 casos.
Tabagismo é principal fator de risco
Segundo dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), em 2022 foram registrados quase 2,5 milhões de novos casos e mais de 1,8 milhão de mortes por câncer de pulmão no mundo.
O tabagismo está associado a aproximadamente 85% dos casos. Fumo passivo, poluição do ar, amianto, sílica, gases de motores a diesel e algumas doenças pulmonares crônicas também estão relacionados ao desenvolvimento do tumor.
Tomografia pode identificar tumores pequenos
Parar de fumar reduz progressivamente o risco, mas pessoas que já fumaram precisam considerar o histórico de consumo, a idade e o período desde o último cigarro.
Segundo a pneumologista Fernanda Aguiar, coordenadora da medicina respiratória do Hospital Mater Dei Salvador, a radiografia convencional não substitui o exame utilizado no rastreamento de pessoas com alto risco.
A principal ferramenta é a tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação, capaz de identificar nódulos pequenos antes do aparecimento de sintomas. Estudos apontam benefícios especialmente para pessoas de 50 a 80 anos com histórico de pelo menos 20 anos-maço, que ainda fumam ou pararam há menos de 15 anos.
Cirurgia robótica é uma das opções
Quando o câncer está limitado ao pulmão e o paciente apresenta condições clínicas para o procedimento, a cirurgia pode ser a principal possibilidade de cura. A operação remove o tumor com margem de segurança e permite avaliar os linfonodos.
A cirurgia robótica está entre as técnicas minimamente invasivas disponíveis. Segundo o cirurgião torácico Pedro Leite, a tecnologia oferece visão tridimensional ampliada, filtra tremores e permite movimentos precisos dos instrumentos.
A indicação depende do estágio e da localização do tumor, além das condições clínicas e da avaliação de uma equipe multidisciplinar. Quando indicada, a técnica pode reduzir o trauma cirúrgico, a dor e o tempo de recuperação.
Vapes também exigem atenção
Os tratamentos contra o câncer de pulmão incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Apesar dos avanços, a prevenção continua sendo uma das principais estratégias contra a doença.
Cigarros eletrônicos e vapes não são considerados inofensivos. Eles podem conter nicotina, substâncias tóxicas e compostos potencialmente cancerígenos, além de favorecer a dependência.
Tosse persistente ou alterada, sangue no escarro, falta de ar, dor no peito, rouquidão, cansaço e perda de peso sem explicação devem ser avaliados por um profissional de saúde. Pessoas de alto risco também podem precisar de avaliação mesmo sem apresentar sintomas.




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