Julho Verde alerta para sintomas do câncer de cabeça e pescoço
Campanha reforça a importância do diagnóstico precoce; cerca de 80% dos casos ainda são descobertos em estágio avançado no Brasil.

O Julho Verde chama a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço, doença que deve registrar 42.150 novos casos no Brasil em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Na Bahia, a previsão é de 2.750 diagnósticos neste ano. Apesar dos números, cerca de 80% dos casos ainda são identificados em estágios avançados, o que reduz as chances de sucesso no tratamento.
Entre os principais sinais de alerta estão rouquidão persistente, alterações na voz, feridas na boca que não cicatrizam, dificuldade para engolir, dor de garganta prolongada, sangramentos na boca ou no nariz, perda de peso sem causa aparente e nódulos no pescoço. Segundo o oncologista Eduardo Moraes, da Oncoclínicas, qualquer um desses sintomas que permaneça por mais de 15 a 20 dias deve ser avaliado por um médico. O especialista ressalta que os sinais não indicam necessariamente um câncer, mas precisam ser investigados.
Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura
De acordo com o oncologista Daniel Brito, muitos pacientes demoram a procurar atendimento porque confundem os sintomas com problemas comuns, como resfriados, infecções virais ou aftas. Já a oncologista Larissa Moura destaca que, quando descoberto precocemente, o câncer de cabeça e pescoço pode alcançar até 90% de chance de cura, reforçando a importância da informação e da busca por atendimento logo nos primeiros sinais.
A doença pode atingir estruturas como boca, língua, gengiva, faringe, laringe, seios da face, cavidade nasal e tireoide. Nas mulheres, o tumor mais frequente nessa região é o de tireoide. Entre os homens, predominam os cânceres de boca, laringe e faringe.
Fatores de risco e formas de prevenção
O tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo HPV estão entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Fumantes têm cinco vezes mais chances de desenvolver esse tipo de câncer e, quando o cigarro é associado ao álcool, o risco pode aumentar em até dez vezes. Má higiene bucal, próteses mal adaptadas, alimentação inadequada, fatores genéticos e exposição excessiva ao sol sem proteção labial também contribuem para o surgimento dos tumores.
A prevenção inclui não fumar, reduzir o consumo de álcool, manter boa higiene bucal, realizar consultas periódicas ao dentista, usar preservativo nas relações sexuais, proteger os lábios da exposição solar e adotar uma alimentação equilibrada. A vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, também é uma das principais estratégias para reduzir o risco de cânceres relacionados ao vírus.




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