PF nega depoimento de Vorcaro sobre filme de Lula
Corporação afirma que ex-banqueiro não relatou ter financiado documentário sobre o presidente; AGU vai pedir direito de resposta à revista Veja.

A Polícia Federal (PF) afirmou nesta sexta-feira (9) que Daniel Vorcaro não prestou depoimento relatando ter repassado dinheiro para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição.
A informação havia sido publicada pela revista Veja, que atribuiu ao ex-banqueiro o suposto relato sobre o financiamento e sua relação com negócios no governo.
Em nota, a PF afirmou que Vorcaro não apresentou depoimento com o conteúdo divulgado pela revista e também não entregou documentos, anexos ou outras informações relacionadas ao caso.
“A Polícia Federal esclarece, em relação à reportagem intitulada ‘Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo’, publicada pela revista Veja, nesta sexta-feira (9/10), que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, afirmou a corporação.
Advogado diz desconhecer suposto financiamento
O advogado Daniel Bialski, que atualmente defende Vorcaro, disse à Agência Brasil que não tinha conhecimento de qualquer financiamento desse tipo.
Bialski explicou que ainda não comandava a defesa do ex-banqueiro quando foram apresentadas propostas de colaboração. Segundo ele, porém, não houve posteriormente nenhum novo depoimento de Vorcaro à PF ou a outro órgão sobre o assunto.
O advogado também afirmou não ter recebido documentos que comprovem o suposto financiamento. Ele acrescentou que Vorcaro nunca tratou desse tema com ele.
AGU anuncia pedido de correção
Após a publicação da reportagem, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que vai solicitar à revista Veja direito de resposta e correção das informações divulgadas.
A AGU considera que foram divulgadas informações classificadas como “inverídicas e gravemente ofensivas a autoridades federais”.
Grupo pede perícia em áudio
O Prerrogativas, grupo formado por juristas do campo progressista, também se manifestou sobre o caso.
A entidade pediu que a Polícia Federal faça uma perícia no áudio divulgado pela Veja, que envolve o ex-banqueiro e Lula. A publicação ocorreu 16 dias antes do segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo o grupo, existe a suspeita de que a gravação possa ter sido modificada por meio de montagem de trechos ou utilização de inteligência artificial para interferir na disputa eleitoral.
O Prerrogativas afirmou ainda que não há informações sobre quando, onde ou em quais circunstâncias o áudio foi registrado.
A entidade disse ter recebido informações de que o material poderia não ser autêntico ou íntegro, com possibilidade de ter sido produzido a partir da junção de gravações feitas em momentos diferentes ou por meio de síntese de voz.
Caso uma eventual fraude seja comprovada, o grupo afirma que os responsáveis poderão responder por fraude processual e crimes eleitorais relacionados à divulgação de informações sabidamente falsas.
Caso envolve outro filme
O episódio também foi relacionado ao caso envolvendo Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência da República, e o financiamento de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesse caso, há um áudio que comprovaria a ajuda financeira de Vorcaro a Flávio. A gravação foi revelada pelo site Intercept em maio deste ano.
A autenticidade do áudio foi confirmada pelo próprio Flávio Bolsonaro. Na gravação, o senador pede dinheiro a Vorcaro para ajudar a custear a produção do filme.
Em setembro de 2025, Flávio afirmou estar preocupado com a possibilidade de calote nos profissionais envolvidos na produção, citando o ator norte-americano Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
“É porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim, né?”, disse o senador.
Segundo a PF, Flávio Bolsonaro pediu R$ 131 milhões a Vorcaro.
Fonte: Agência Brasil




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