Professora dedica mais de 50 anos à educação de jovens e adultos

Aos 68 anos, Marialva Gargur coordena curso gratuito de alfabetização na Estácio Bahia e acompanha histórias de superação e autonomia.

Salvador
Professora dedica mais de 50 anos à educação de jovens e adultos
Foto: Divulgação

Professora transforma alfabetização em caminho para a cidadania

Ensinar a ler e escrever pode representar muito mais do que aprender palavras. Para adultos que não tiveram acesso à alfabetização, esse conhecimento abre caminhos para a independência, a inclusão digital e o exercício da cidadania. É essa transformação que move Marialva Gargur, professora de 68 anos que acumula mais de cinco décadas de atuação na educação.

Coordenadora do curso gratuito de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos da Estácio Bahia, Marialva começou a ensinar aos 14 anos, dando aulas de reforço para crianças com dificuldades de aprendizagem. Aos 17, concluiu a formação de normalista e iniciou a carreira em uma escola de educação infantil.

Ao longo dos anos, trabalhou em diferentes áreas da educação, da docência à gestão escolar. Há 14 anos na Estácio, leciona para alunos de vários cursos e coordena a formação voltada a jovens e adultos. A iniciativa também aproxima duas áreas de sua formação: Pedagogia e Serviço Social.

Para a educadora, a alfabetização na vida adulta ajuda os estudantes a conquistar independência e a lidar com situações que antes exigiam a ajuda de outras pessoas. “Eu acredito que a educação transforma pessoas, transforma vidas e faz esse processo de inclusão social e de cidadania”, afirma.

Aprender a ler muda a rotina

Uma das histórias que marcaram a trajetória da professora foi a de um empresário que chegou ao curso sem saber ler nem escrever. Ele dependia da esposa e do filho para tratar de assuntos relacionados aos fornecedores de sua loja.

Com o aprendizado, passou a administrar o negócio com mais autonomia. A mudança ficou registrada em uma frase que emocionou Marialva: “Foi emocionante ouvi-lo dizer que aprender a ler e escrever havia ‘tirado uma venda’ de seus olhos”.

Os avanços também aparecem em tarefas simples do cotidiano, como identificar o ônibus correto, preencher formulários, usar o computador e fazer transferências por Pix. A formação ainda aborda a inclusão digital e contribui para que os alunos tenham mais segurança em atividades como o exercício do voto.

Segundo Marialva, muitos estudantes chegam ao curso com a autoestima abalada pela vergonha de não saber ler, sentimento que carregam durante anos. À medida que avançam, passam a reconhecer suas próprias capacidades e a participar de novas situações com mais confiança.

“Mais do que aprender a ler e escrever, esses alunos precisam perceber que são capazes. Muitas vezes, eles chegam com a autoestima muito fragilizada, porque carregam durante anos a vergonha de não saber ler. Quando começam a avançar, a gente percebe uma transformação não só na aprendizagem, mas na forma como se enxergam e se colocam no mundo”, destaca.

Experiência que forma novos professores

No Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, a trajetória de Marialva também evidencia o papel da experiência na formação de novos educadores. Além do trabalho com os alunos, ela acompanha estagiários de Pedagogia da Estácio Bahia, que vivenciam na prática os desafios e as possibilidades do ensino.

A professora busca incentivar profissionais mais criativos, críticos e comprometidos com a transformação social promovida pela educação.

Mesmo após mais de 50 anos de carreira, Marialva mantém na sala de aula uma de suas principais fontes de realização. “Eu me sinto bem em sala de aula, conversando, dialogando, ajudando a construir conhecimento. É assim que eu me sinto feliz”, resume.

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