Paternidade provoca mudanças no cérebro dos homens

Estudos apontam alterações cerebrais nos pais após a chegada dos filhos, com impactos relacionados à atenção, empatia e comportamento de cuidado.

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Paternidade provoca mudanças no cérebro dos homens
Bianca Reis – Psicóloga – Foto: Montagem/Inteligência artificial

A chegada de um filho provoca mudanças profundas na vida dos pais. Além das transformações na rotina e nas relações familiares, a paternidade também pode alterar o funcionamento do cérebro masculino.

A neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro tem de se adaptar e modificar de acordo com novas necessidades. No caso da paternidade, algumas funções relacionadas ao cuidado podem se intensificar após o nascimento de um filho.

A percepção de que as mudanças provocadas pela chegada de um bebê são mais intensas nas mães também vem sendo revista. Pesquisas mostram que os homens passam por transformações cerebrais durante a experiência da paternidade.

Mudanças no cérebro dos pais

Um estudo publicado na revista Cerebral Cortex identificou, por meio de exames de imagem, alterações no volume do córtex cerebral de homens após se tornarem pais.

Inicialmente, o cérebro masculino pode apresentar uma pequena redução de tamanho. Segundo o material, essa alteração é temporária e o órgão volta ao volume anterior depois de algum tempo.

A mudança está relacionada às novas demandas de atenção e concentração necessárias para os cuidados com o bebê.

Na paternidade ativa, também são apontadas alterações na massa cinzenta, redução dos níveis de testosterona e cortisol e aumento da atividade do sistema límbico.

Essas transformações podem favorecer o desenvolvimento da empatia, além de contribuir para maior atenção ao filho e comportamentos relacionados ao cuidado e à proteção.

A importância da presença paterna

Para a psicóloga Bianca Reis, a presença paterna pode ter impacto importante no desenvolvimento emocional e social das crianças.

“Ao trabalhar com meus pacientes adultos as necessidades emocionais básicas da infância encontramos faltas e feridas que estão relacionadas a violências da educação parental, mas também a ausências em momentos tanto ordinários como especiais”, afirma.

Segundo Bianca, a figura paterna pode funcionar como uma ponte para o mundo externo e participar ativamente do processo de socialização da criança.

“A ausência sem que alguém ocupe esta função (independente de quem seja) pode gerar insegurança afetiva e dificuldades na adaptação social do indivíduo, além disso, perde-se a oportunidade de evoluir em relação com este filho”, acrescenta.

A psicóloga também ressalta que a configuração familiar não determina, por si só, prejuízos ao desenvolvimento infantil.

“Não há nenhum problema de uma criança ser criada por duas mães ou dois pais”, afirma. Segundo ela, o desenvolvimento emocional, social e cognitivo pode ser preservado nessas configurações, desde que existam vínculos, afeto, cuidado, limites, disciplina e amor.

Diferenças entre cérebros masculino e feminino

De acordo com a neurociência, a evolução produziu diferenças entre os cérebros masculino e feminino relacionadas às necessidades dos nossos antepassados.

Em média, os homens apresentam cerca de 30% mais conexões neuronais e um cérebro entre 10% e 15% maior que o das mulheres. Essa diferença está associada ao tamanho corporal.

Já os cérebros femininos apresentam maior proporção de substância cinzenta e fluxo sanguíneo mais intenso, características relacionadas a diferentes formas de processamento das informações.

As alterações associadas à paternidade ativa mostram que o cérebro masculino também é capaz de se adaptar às novas demandas impostas pela chegada de um filho.

Para Bianca Reis, compreender essas transformações pode ampliar o debate sobre o papel dos homens na família e na sociedade.

“Diante destes dados, o lugar da paternidade pode ser visto não apenas como algo interessante e protetivo para a relação familiar e de formação dos filhos, mas como uma maneira de ampliarmos as discussões sobre masculinidades e a possibilidade mais saudável e menos violenta deste homem existir em sociedade”, conclui.

Sobre Bianca Reis

Bianca Reis é psicóloga, psicoterapeuta, palestrante e facilitadora de grupos. É Mestra em Família, especialista em Psicoterapia Junguiana e pós-graduada em Estimulação Precoce.

Também é pós-graduanda em Neuropsicologia: Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica e em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. É formada em Terapia do Esquema.

Atua há mais de 12 anos na área clínica, com atendimento de demandas relacionadas a relacionamentos familiares e românticos, sexualidade, gênero, infância, ansiedade, depressão e outras questões psicológicas e humanas.

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